8 de agosto de 2018

Fenômeno "Terra Estufa."




O que é o fenômeno 'Terra estufa' e por que estamos caminhando para ele, segundo novo estudo.
(Artigo produzido por Matt McGrath para  - BBC News - Londres)












Pode parecer o nome de um filme B de ficção científica, mas cientistas diz que estamos perto de viver na "Terra Estufa".

Pesquisadores dizem que podemos estar próximos a entrar num patamar que nos levará a viver em meio a temperaturas cada vez mais altas e com um nível do mar cada vez mais elevado nos próximos séculos.
Mesmo que os países consigam atingir suas metas de redução de emissão de carbono, ainda assim podemos estar em um "caminho sem volta".

O que é exatamente o fenômeno 'Terra Estufa'?
As atuais ondas de calor na Europa estão ligadas a esse cenário?
Mas não sabíamos desses riscos antes?
Há alguma boa notícia nisso tudo?
O que dizem os outros cientistas?

O estudo, publicado no periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, mostra que isso pode ocorrer caso a temperatura global suba 2ºC acima dos níveis pré-industriais.
Os cientistas envolvidos no trabalho dizem que o aquecimento ocorrido até agora e o que deve provavelmente ocorrer nas próximas décadas podem mudar radicalmente algumas das forças naturais da Terra que hoje nos protegem e transformá-las em nossas inimigas.
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A cada ano, as florestas, oceanos e terra do planeta absorvem cerca de 4,5 bilhões de toneladas de carbono que iriam parar na atmosfera e elevariam a temperatura do planeta. Mas, conforme o mundo se aquece, essas "esponjas" que absorvem carbono podem se tornar fontes de emissão de CO2 e piorar significativamente os problemas do aquecimento global.
Seja o gelo permanente das regiões ao norte do planeta, que guarda milhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa, ou a Floresta Amazônica, há o receio de que, conforme nos aproximamos de um patamar de 2ºC acima dos níveis pré-industriais, serão maiores as chances de que esses aliados naturais liberem mais carbono do que hoje absorvem.
Em 2015, governos de todo o mundo se comprometeram em manter a elevação das temperaturas abaixo dos 2ºC - e a trabalhar para manter isso abaixo de 1,5ºC. Mas segundo os autores do estudo, os planos atuais de cortar emissões podem não ser suficientes, caso suas análises estejam corretas.
"O que estamos vendo é que, ao atingir um aquecimento de 2ºC, podemos chegar a um ponto em que o controle desse mecanismo ficará inteiramente nas mãos do planeta em si", diz à BBC News Johan Rockström, coautor do estudo e pesquisador do instituto de pesquisas Stockholm Resilience Centre, na Suécia.
"Nós estamos no controle agora, mas, se ultrapassarmos os 2ºC, veremos o sistema da Terra deixar de ser um amigo para se tornar um inimigo - colocaremos nosso destino nas mãos de um sistema planetário que está começando a se desequilibrar."




Atualmente, as temperaturas globais já aumentaram 1ºC acima dos níveis pré-industriais e estão subindo cerca de 0,17ºC a cada década.
No estudo, os autores analisaram dez sistemas naturais, que eles chamam de "processos de feedback".
Hoje, esses sistemas ajudam a humanidade a evitar os piores impactos das emissões de carbono e o aumento de temperatura e incluem florestas, o gelo do mar do Ártico, hidratos de metano e o fundo do oceano.
A preocupação é que, se um desses sistemas cruzar um limiar e começar a emitir grandes quantidades de CO2 na atmosfera, os outros podem passar a fazer o mesmo como em uma fileira de dominós.
Em poucas palavras, não é nada bom.



De acordo com a pesquisa, a entrada no período de "Terra Estufa" levaria à temperatura global mais alta já enfrentada pelo planeta nos últimos 1,2 milhão de anos.
O clima poderia se estabilizar com uma temperatura de 4ºC a 5ºC acima dos níveis pré-industriais. Graças ao derretimento de gelo, os mares podem se elevar de 10 a 60 metros acima dos níveis de hoje.
Isso significaria que partes da Terra ficariam inabitáveis. Os impactos seriam "massivos, algumas vezes abruptos e com certeza preocupantes", dizem os autores.
O único lado positivo, se é que se pode dizer isso, é que os piores efeitos não seriam sentidos por um século ou dois. Por outro lado, não seria possível fazer nada quanto a isso, uma vez iniciado o processo.
Os autores afirmam que os eventos climáticos extremos que vemos hoje no mundo não podem ser associados diretamente ao risco de ultrapassarmos o patamar de 2ºC.
Mas eles argumentam que isso pode ser uma evidência de que a Terra é mais sensível ao aquecimento do que se pensava antes.
"Devemos aprender com esses eventos e considerá-los uma evidência de como temos de ser mais cautelosos", disse Rockström.
"Isso indica que, se algo assim pode ocorrer com uma elevação de 1ºC, não deveríamos ficar surpresos ou desconsiderar conclusões de que coisas assim podem ocorrer de forma mais abrupta do que imaginávamos."
O que os autores do estudo afirmam é que, até agora, subestimamos o poder e a sensibilidade de sistemas naturais.
As pessoas pensavam que as mudanças climáticas se tornariam uma emergência global com elevações de 3ºC a 4ºC até o fim deste século.
Mas a pesquisa aponta que, acima de 2ºC, há um risco significativo de vermos mudanças drásticas em sistemas naturais que hoje mantêm as temperaturas mais baixas e se transformariam em grandes fontes de carbono que nos colocariam em um "caminho irreversível" rumo a um mundo de 4ºC a 5ºC mais quente do que antes de 1850.
Surpreendentemente, sim! Podemos evitar esse cenário, mas isso exigirá um enorme reajuste na nossa relação com o planeta.
"Mudanças climáticas e outras que ocorram no planeta mostram que nós humanos estamos impactando o sistema da Terra a nível global. Isso significa que, como uma comunidade global, podemos mudar nosso relacionamento com o planeta para influenciar as condições do planeta no futuro", diz a coautora do estudo Katherine Richardson, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
"Esse estudo identifica alguns fatores que podem ser usados para isso."
Então, não apenas precisaremos parar de usar combustíveis fósseis até o meio desse século como vamos precisar plantar muitas árvores, proteger florestas, pensar em como bloquear raios solares e criar máquinas para retirar carbono do ar.


Os autores afirmam que uma reorientação total de valores humanos, comportamento e tecnologia é necessária. Todos teremos de nos transformar em protetores da Terra.
Alguns afirmam que os autores desse estudo são muito extremistas. Outros afirmam que suas conclusões são perfeitamente válidas.
"Como resultado do impacto humano sobre o clima, a nova pesquisa argumenta que estamos além de qualquer chance da Terra se resfriar 'por conta própria'", diz Phil Williamson, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
"Juntos, esses efeitos podem acrescentar mais meio grau ao aquecimento até o fim do século, pelo qual seríamos diretamente responsáveis, e, assim, cruzaríamos um limiar em torno de 2ºC, fazendo com que ocorressem mudanças irreversíveis ao planeta."
Outros se preocupam com a fé dos autores de que a humanidade será capaz de entender a gravidade do problema.
"Dadas as evidências na história da humanidade, parece ser uma esperança ingênua", diz Chris Rapley, da University College London, no Reino Unido.
"Em uma época de populismo de direita generalizado, junto com a rejeição das mensagens que partem das chamadas 'elites cosmopolitas' e a negação das mudanças climáticas como uma questão séria, a probabilidade de que a combinação de fatores necessária para que a humanidade leve o planeta rumo a um 'estado intermediário' aceitável é próxima de zero."
(Matt McGrath  -BBC News).

11 de março de 2018

A Inversão dos polos magnéticos da Terra

Inversão dos polos magnéticos da Terra pode ocorrer mais rápido que o imaginado




Sabe-se que a cada 500 mil anos aproximadamente, os polos da Terra se invertem e isso não é novidade. No entanto, um novo estudo mostra que a última reversão foi extremamente rápida e não levou mais de 100 anos para ser completada.

O estudo foi realizado por uma equipe internacional de pesquisadores e demonstrou que a que a última reversão magnética ocorreu há 786 mil anos e aconteceu muito mais rápido do que se supunha. De acordo com o trabalho, a inversão magnética da Terra se deu à razão de 1.8 grau por ano, tempo que poderia ser testemunhado por uma vida humana.
Até agora, os pesquisadores acreditavam que a reversão dos polos acontecia de modo muito mais lento, com alguns modelos estimando em até 1000 anos para ser completada.
De acordo com a teoria atualmente aceita, durante esse processo o campo magnético da Terra passaria por um processo muito lento e gradual de enfraquecimento, seguido de novo fortalecimento, também lento e gradual.

Inversão a caminho
A descoberta, levou alguns geofísicos a prever que uma nova inversão poderá ocorrer dentro de alguns milhares de anos, uma vez que há evidências de que a intensidade do campo magnético da Terra está diminuindo 10 vezes mais rápido do que o normal

A nova descoberta é baseada em medições do alinhamento do campo magnético em camadas de sedimentos de lagos antigos agora expostos na bacia de Sulmona, nos Apeninos, ao leste de Roma.
Naquela região, uma equipe de pesquisadores italianos liderados por Leonardo Sagnotti, ligado ao Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia de Roma, mediu as direções do campo magnético gravadas nos sedimentos acumulados no fundo do antigo lago.
Utilizando o método argônio-argônio de datação, a equipe de cientistas observou que uma súbita reversão de 180 graus do campo foi precedida por um período de instabilidade que durou mais de 6.000 anos, intercalados por altos e baixos com intervalos de 2 mil anos. Segundo o estudo, isso ocorreu entre 770 mil e 795 mil anos atrás e durou apenas 100 anos.

Consequências
Apesar da reversão magnética ser um grande evento de escala planetária, conduzida provavelmente pelo convecção no núcleo de ferro da Terra, não há catástrofes documentados associados às reversões ocorridas no passado. No entanto, se ocorresse atualmente, o fenômeno poderia provocar uma série de danos.

Uma vez que o campo magnético da Terra protege a vida contra as partículas energéticas provenientes do Sol e também contra os raios cósmicos, que podem causar mutações genéticas, um enfraquecimento ou perda temporária do campo ante uma reversão permanente poderia aumentar as taxas de câncer. Além disso, redes de distribuição de energia seriam bastante afetadas, uma vez que as tempestades solares teriam um efeito devastador sobre um campo magnético enfraquecido.
Leia mais em http://www.apolo11.com/spacenews.php?posic=dat_20141015-113319.inc#QuvX7ovRgJhPItoP.99

26 de outubro de 2017

A Grande Muralha Verde da África Subsaariana



A GRANDE MURALHA VERDE.




A Grande Muralha Verde é a iniciativa africana de se combater os efeitos da mudança climática e a desertificação. Liderada pela União Africana, esta iniciativa tenta transformar a vida de milhões de pessoas criando um grande mosaico de paisagens verdes e produtivas cobrindo aproximadamente 8.000 Km de uma faixa desértica na África Subsaariana, o Sahel, entre o Senegal e a Eritréia no Chifre da África.




Partindo da ideia inicial de uma linha de árvores que atravessasse o deserto de oeste a Leste da África, a visão da Grande Muralha Verde tem evoluído para um mosaico de intervenções dirigidas as populações do Saara e do Sahel. Considerada uma ferramenta de planejamento para o desenvolvimento rural, o objetivo geral destas comunidades sub-regional é fortalecer a resiliência dos habitantes e os ecossistemas mediante o uso de práticas sólidas de gestão de ecossistemas, a proteção do patrimônio rural e a melhoria das condições de vida das populações locais.



Mediante uma melhoria nos rendimentos das comunidades locais, a Iniciativa para a Grande Muralha Verde do Saara e do Sahel será também uma resposta global aos efeitos combinados da degradação dos recursos naturais e da seca nas zonas rurais. A Iniciativa é uma associação que apoia os esforços das comunidades locais no uso e gestão sustentáveis dos bosques, pastagens e outros recursos naturais nas terras áridas. Assim mesmo, contribui para a adaptação e mitigação dos efeitos da mudança climática, melhorando ao mesmo tempo a segurança alimentar no Saara e no Sahel. 


15 de novembro de 2016

Novos abalos sísmicos assustam o mundo

Terremotos na Nova Zelândia e na Argentina.




Nova Zelândia
Um tremor de magnitude 7,8 atingiu a área central da Nova Zelândia pouco depois da meia-noite de segunda (14), horário local (9h de domingo em Brasília), de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.
O primeiro-ministro do país, John Key, disse que duas pessoas morreram. A polícia disse que uma das vítimas foi encontrada em uma casa na cidade turística costeira de Kaikoura.
A Defesa Civil do país emitiu um alerta de risco de tsunami, com o aviso de que os moradores de áreas costeiras busquem abrigos em regiões mais altas.
Key informou que ondas de 2 metros atingiram a costa e que a ameaça de tsunami foi rebaixada.
Argentina
Um terremoto de magnitude 5,7 sacudiu neste sábado (12) o nordeste da Argentina, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). Por enquanto não foram reportados feridos nem danos materiais.
O tremor de terra aconteceu às 23h01

 a uma profundidade de 121 quilômetros e seu epicentro foi situado a 24 quilômetros a leste da cidade de Tinogasta, na Argentina, segundo o alerta emitido pelo Serviço Geológico americano.
A cidade de Tinogasta, de mais de 14 mil habitantes, fica na província de Catamarca.
As seguintes cidades em proximidade ao epicentro do tremor são as localidades de Arauco, a 74 quilômetros; Andalgalá, a 114 quilômetros; Chilecito, a 119 quilômetros e La Rioja a uma distância de 152 quilômetros, detalhou o USGS.

O que causa os terremotos?

Os terremotos são causados pela movimentação das placas tectônicas, um grupo de doze grandes blocos da crosta terrestre onde estão assentados os oceanos e continentes. Essas placas estão em constante movimento, à deriva sobre o magma incandescente que se movimenta abaixo delas.

4 de fevereiro de 2016

Maior central de Energia Solar é inaugurada no Marrocos



Central solar gigante é inaugurada no Saara marroquino





O rei do Marrocos, Mohammed VI, inaugurou nesta quinta-feira, no coração do Saara, uma das maiores centrais solares do mundo, "Noor 1" (Luz), primeira etapa de um vasto projeto destinado a aumentar a produção de energia renovável no Marrocos e na África.
Acompanhado pelo chefe do governo, o rei deu início simbólico na produção da central, situada a vinte quilômetros de Ouarzazate, no sudoeste do Marrocos, constatou um jornalista da AFP.
O lançamento oficial ocorreu na presença de vários membros do governo e de autoridades estrangeiras, como a ministra francesa do Meio Ambiente, Ségolène Royal.
Alimentada por grandes espelhos curvos alinhados no deserto, esta central de 160 megawatts de potência é a primeira de um parque solar gigante, apresentado por seus criadores como o maior do mundo. Ele irá permitir a produção de mais de 500 megawatts de energia fotovoltaica em Ouarzazate em 2018 e fornecer eletricidade a um milhão de casas.
Lançada em 2013, a construção da central custou mais de 600 milhões de euros, financiados por uma parceria público-privada envolvendo entre outros o Banco Africano de Desenvolvimento, a Agência Marroquina para a Energia Solar, a União Europeia e investidores privados.